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Esta página foi criada para facilitar a escrita-a-dois dos verbetes de nosso amoroso dicionário.....

A

Acaso, Acontecimento
Ou seja lá qual for a melhor designação. O encontro, em meio a tantas dúvidas, foi como um sopro no ouvido: "Pode, sim, ser diferente..."; "Existe, sim, um outro jeito"; "Há vida, sim, fora ---"... O tal do Acontecimento, bem deleuziano, que rompe território e força a construção de outros. Sofrido, sem dúvida, mas necessário. Suportar a eternidade desse instante é um desafio. Às vezes parece que não vou conseguir... Outras, que um mundo inteiro e novo me espera!
Acostumados, desacostumados
Adorada, Adorado
O enamorado prende em sua língua o eu-te-amo por puro medo das palavras que, embora adequadas, possam nesse momento vir a banalizar um encontro intenso e raro. Ao mesmo tempo, não se vê à vontade com expressões tímidas e faceiras do tipo te-quero-bem ou gosto-de-ti. A adoração é simultaneamente devoção religiosa e encantamento. Devoção pela distância grande - transcendência momentânea - e impossibilidade de tocar o ser amado a não ser por procuração de uma imagem (de gesso, de palavras ao celular, de fotos, de voz ao telefone). Encantamento ao reconhecer-se incapaz de compreender o que sente, o que vê, o que ouve, o que vive mas, e talvez por isso mesmo, sinta, veja, ouça e viva em total confiança. O enamorado, enfim, escolhe dizer eu-te-adoro, na esperança de oferecer ao ser amado (adorado) uma espécie de sacrifício ritual...
Adorido, Adorida
Assim nomeamos o ser adorado ao vê-lo afastando-se, indo. Sensação indizível da dor da ida do adorado, da adorada. Num instante, e ainda, está. Noutro, não mais. Até quando?
Aeroporto
Um lugar, muito mais que um lugar, um estado, de espera, uma condição de espera, uma espera. Ao mesmo tempo, um momento de encontro e um momento de desencontro. Ao mesmo tempo, o lugar mais feliz do mundo e o lugar mais triste. Um lugar, um estado, uma condição que marca o ir e o vir, o chegar e o partir. Algo que seria preciso ser desinventado por pura desnecessidade. Ninguém deveria partir. Ninguém deveria chegar. Todo mundo deveria simplesmente estar, junto.
Agenda
Na primeira noite juntos, beijos na porta do hotel. "Tem espaço pra mim na tua agenda?". Não, não tinha, porque ninguém coloca o inesperado na agenda! Mas, uma vez que ele chega - o inesperado - e dependendo de como chega, não só a ocupa toda - a agenda - como a subverte totalmente. A partir daquele dia, você na agenda, nós nas agendas, viagens de encontro, cinemas, tempos de telefonar, de se ocupar conosco.
Aprendizagem significativa
Aproximação
Sincronicidade – ultrapassar – melhoutrar – grude solto
É o hexagrama 19 do I Ching – Livro das Mutações. Mais o que um oráculo, o I Ching..
Aproximação significa Tornar-se Grande.
No livro das mutações, um hexagrama conduz ao outro, marcando a transformação dos modos de vida como única verdade. O que antecede a *Aproximação* é o hexagrama 18 - *Trabalho sobre o que se deteriorou*. Através do trabalho sobre aquilo que se deteriorou - seja pela fraqueza interna, pelos movimentos divergentes, pela falta de relação e/ou pela indecisão paralisante – o mundo retorna à ordem... Mas para isso, é preciso fazer algo: atravessar a grande água e deixar o amor prevalecer, estendendo-se tanto sobre o começo, como sobre o fim.
A Aproximação é o Encontro. O encontro que potencializa e permite melhoutrar. Tui, o trigrama que está embaixo, tende a subir. E o trigrama superior, Kun, tende a descer. Assim os dois se movem um em direção ao outro, rumo à transformação e contemplação. O amor penetra e cresce, alegre e dedicado... Ocupa o centro e encontra correspondência.
O hexagrama que se segue é o inverso da Aproximação, a *Contemplação*: um hexagrama com duplo sentido, pois em parte se doa, isto é, propicia uma visão sublime, e em parte toma, isto é, contempla, busca algo através da contemplação (grude-solto).
Assim
Avatar
Que 'second life' que nada! Apenas a capacidade do ser adorado de se fazer presente a distância. Como isso é possível? Pelo encantamento da tecnologia, pela tecnologia do encantamento (Alfred Gell). Pela encantecnologia ou pelo tecnoencanto. Pessoa estendida, mentes estendidas, sentimentos estendidos, palavras estendidas, um adorado estendido e presente, uma adorada estendida e presente. Mas ninguém ainda conseguiu estender o toque da pele.
Azul
Nosso encontro, como te disse, nos alimentou e cuidou. Guardamos com carinho cada sensação, cada descoberta, cada troca: de palavras, carinhos, toque, fluidos, pensamentos, histórias, autores, presentes, cuidados, música, olhares, sentidos. Não me dei conta, de início, que teu presente também remetia ao azul, cor da serenidade e, não por acaso, dos nossos encontros, primeiro, segundo, terceiro. O amor, definitivamente, é azulzinho. Essa é a cor que gruda em mim e que levo comigo.
Não sei se o amor, ou todo amor, é azulzinho, mas o nosso, sim, com certeza! Não poderia ser diferente, tendo nascido sob o céu da Bahia.

B

Bahia
O céu da Bahia nos protege. A Bahia nos dá régua e compasso. A Bahia é nossa origem. Yemanjá é baiana e nos protege. A Bahia é azul, muito azul. A Bahia nos dá sorte. Um dia vamos voltar à Bahia, morar na Bahia, viver a Bahia como a Bahia vive em nós. O batuque da Bahia nos faz tremer de gozo e alegria. A Bahia é uma saudade, sempre presente. Tudo tudo na Bahia faz a gente querer bem. A Bahia tem um jeito. Numa praia da Bahia caminhamos de madrugada e nos deixamos ficar num quadrado riscado na areia, e nos deixamos abraçar sentados nas pedras da maré baixa. À direita, o farol - que nos guia; à esquerda, o monte mirante com um santo - que nos cuida; abaixo, pedras - que nos sustentam; acima, o céu que nos protege; às costas, um quarto azul que nos esperava sem que soubéssemos; à frente, o mundo aberto, pronto a ser ultrapassado. Do outro lado, bem do outro lado, a África azul e rosa. Nós dois, espanhóis, portugueses, alemães, gaúchos, cariocas, meio que nos ultrapassamos para trás, para uma origem remota onde um homem, uma mulher, eram só um homem, uma mulher, prontos a fecundar um mundo. O que é que a Bahia tem? Poder de fecundar, fertilizar, criar. O que é que a Bahia tem? Orixás e santos e sons e cores. O que é que a Bahia tem? Tem a nós, na palma da mão. Você já foi à Bahia? Então vá. Nós nascemos lá!
Barthes
Barthes é um ancestral, uma espécie de santinho protetor, daqueles que a gente beija no relicário, daqueles sobre o qual a gente não conhece muito - a não ser sua palavra, sua escritura - mas idolatra em confiança. Barthes nos escreveu, um dia, nos viu como nem nós. Escreveu sobre o Encontro, sobre o Não-Querer-Possuir. Barthes é, também, uma espécie de oráculo.
Beijo
que falta me faz tua boca -
pelas palavras que acariciam e iluminam,
pela língua que lambe,
pela saliva que nutre,
pelos dentes que marcam,
pela gruta que me acolhe inteiro num
beijo
Blue skyn
Na primeira noite, você pediu algo para vestir e dormir. Emprestei, entreguei a você uma blusa azul, tons indianos, imitando batik. Você vestiu, deitou-se com ela, despiu-se dela. No dia seguinte, pela manhã, novamente vestiu-se dela e saímos à rua. Você voltou à tua rotina com ela, dormiu novamente na noite seguinte com ela, e também na outra, e na outra. "Estou com sua pele", disse, "com sua pele azul". A pele azul do céu que abriu em nós. Nossa, minha, tua, blue skin compartilhada, nosso blue sky da Bahia que nos protege. Nossa blue skyn, uma pele-céu azul.

C

Cama
De todos os tipos e tamanhos: aquela que faz muito barulho em Salvador, king size no primeiro encontro em Porto Alegre, uma recém-comprada para um encontro no Rio de Janeiro, uma rede, colchonetes no chão de um apartamento na Lagoa, uma antiga, uma nova... e muitas outras que virão!
Mas não só! Uma cadeira de escritório, no meio da tarde, quando trocamos mensagens e nos ocupamos um do outro, ondas de satélites que nos colocam em contato íntimo, a mesa de um restaurante quando brindamos, damos as mãos e conversamos... tudo vira cama! 'Cama', assim, é qualquer lugar, é todo lugar onde eu esteja com você, onde você esteja comigo, onde quer que estejamos. Cama é nossa condição de encontro, nosso país de nascimento e criação, nossa melhor língua. Cama é o suporte de nossos corpos quando juntos.
CBMB / DTJK
Falamos muito. Juntos, falamos muito. "Cala a Boca e Me Beija", é uma canção. "Don't Talk, Just Kiss" é outra. Dizemos um ao outro, docemente, de vez em quando. Ou melhor, não dizemos. Calamos a boca um do outro just kissing.
Cinema a distância
Ir ao cinema, escolher e assistir a um filme, juntinhos, de mãos dadas, no mesmo horário e sessão... e depois compartilhar gostos e impressões. O trivial e banal, não fossem os 1500 km de distância!
Compartilhar
É exatamente nesse ponto que você é um 'problema' pra mim: eu quero compartilhar contigo!
Minha linha de equilíbrio é: quero compartilhar, mas não quero te ser pesado, não quero te afligir, não quero te ocupar com coisas que não fazem parte de nosso encontro até aqui...
Não se preocupe, acho que pela primeira vez em muitos e muitos anos, me vejo me relacionando 'adultamente' com uma mulher adulta. Não, você não é uma guria, é uma mulher adulta. E eu não sou um garoto, sou um homem. Não só um pro outro somos assim, mas também e principalmente pra nós mesmos. Essa é a base do encontro. Isso inclui até o não-compromisso comprometido (pela intimidade e verdade que construímos) e íntegro (em nossas expectativas e desejos)!
Compulsão sob controle
Confiança
Gosto do que você escreve e de como escreve. Gosto do que você diz pra mim e de como se desnuda sem medo, em confiança. Tento fazer o mesmo contigo, tenho uma confiança muito grande em você. Isso quer dizer: não desconfio de você. Não me pergunto: 'O que ela quer dizer?' ou 'será que é isso mesmo?' ou qualquer coisa do tipo. Acredito piamente (palavra religiosa!) que você sente o que diz que sente, que você quer o que diz que quer. Isso tem bastado pra mim, bastado inclusive para que eu aja exatamente da mesma maneira: dizendo o que sinto, dizendo o que quero. Se tenho confiança, não tenho medo, e essa é a palavra mais certa: não tenho medo com você. Nem de ser bobo e esquisito, nem de parecer complicado, nem de virar outro.
Contrato
De difícil definição, porque sempre com novas cláusulas! De qualquer forma, é mais contrato de cuidados, do que de obrigações...
Corpos Marcados
Eu desejo a invenção, sinceramente. Muita coisa tem sido possível com você, apesar dos corpos marcados - e talvez por causa deles!
Quem, além de nós - que já provamos ser capazes de viver grandes amores e sobreviver a eles -, teria a capacidade, a impulsividade e a clara consciência de um encontro assim?
Cuidado
Culpido
M. é nosso culpido, único culpado por nosso encontro.

D

Dar corpo ao verbo
quero estar com você
pegar
abraçar
beijar
tocar
esfregar
tatear
lambusar
cheirar
morder
chupar
lamber
... enfim
dar corpo ao verbo!


Dar verbo ao corpo
Sim, sim, sim... creio nisso, acredito nisso: a gente tem que dar corpo ao que viveu...
dar corpo ao verbo (lembra? primeiro passo!)
... e depois dar verbo ao corpo!
E você faz isso como ninguém... e eu compreendo cada palavra, com meu corpo...
não como se você
tivesse escrito pra mim ou em mim, mas como se pudesse dar palavras ao meu corpo.
Ainda não sou eu
ainda não é você
não somos 'nós'.
Ainda não é pensamento
nem passado ou futuro.
Apenas É. Existe.
Limitação da 'língua'.
Dar verbo ao corpo...
fazer língua na língua
virar língua em comum (signo?), comunicar.
Enquanto os corpos se encontram , isso não é tão necessário, não é mesmo?
Para prolongar o que vivemos,
só fazendo o que você fez:
esfregar tua língua na minha,
transformar o corpo em verbo
para que possamos seguir melhoutrando
pelo sexo, pelo encontro dos corpos (podemos assim definir o sexo pra nós?).
E agora eles são língua, signos, palavras.
Pura experimentação. Puro sexo!
Minha teoria agora é:
Existo no encontro
Delicadeza
Demorou pra caralho
Uma frase que você me disse fica rondando de vez em quando a minha cabeça. Foi quando cheguei da saída com minhas amigas. Você me olhou com um sorriso tão bom e aberto e disse (umas três vezes): "Você demorou pra caralho!". Ali, senti duas coisas. Primeiro que (até então não sabia muito bem) você realmente me queria contigo. E, segundo, que eu realmente demorei muito - me senti ter demorado uma vida inteira pra te encontrar, uns vinte anos!
Mas, me diga: uma vez estando virginianamente seguro que esta ariana impulsiva realmente me quer como eu a quero, bem, eu não tenho demorado mais, tenho? Espero que não. Não quero perder tempo com (sem)você!
Detalhe
Hoje, pela primeira vez desde a Bahia, abri minha agenda pra ver os compromissos da semana. Achei pétalas brancas da rosa que você ganhou, que eu tinha guardado ali e esquecido! Cheirosas, amareladas, já quase sequinhas... memória de um passeio rápido pelo Dique e a visão dos orixás das águas, e da rosa em tuas mãos. Quando a gente tem tão pouco tempo de existência (eu pra você, você pra mim, nós dois juntos para o mundo), todo detalhe é um emblema!
19
Um hexagrama do I-Ching, A Aproximação
Uma carta do Tarô, O Sol
Dia e mês do meu aniversário
Dia do teu aniversário
1+9=10 - A Unidade + toda a diversidade = a Totalidade!
19 é o nosso número. Soma das letras de meu nome (1) com a soma das letras do teu nome (9). E por aí vai.

E

"E depois?"
Tenho aprendido que esse "e depois" tem um grande elemento de invenção e disposição de criação de oportunidades que compete a nós! Mas você invadiu minha vida como eu a tua, estamos totalmente invadidos um pelo outro. "E depois?" - afortunadamente, tenho também aprendido (contigo!) a não ficar fazendo essa pergunta e simplesmente me permitir e nos permitir que a gente se conheça, se curta, se apaixone, se ame, agora.
Mas quem disse que a gente consegue se desligar do "depois"? Exercício de desapego necessário. Talvez esse seja meu principal aprendizado ao teu lado.
Temos que aprender um com o outro...
Também não é o meu forte. Tenho me esforçado muito pra não ficar pensando toda hora "e depois? e depois? e depois?". Tenho aprendido contigo mais do que imagina, muito mais. Quero ter oportunidade de te contar isso, de te dizer pequenas coisas, de mostrar como tenho agido por causa de você, de como tenho crescido, de como tenho revisto um monte de coisas. Também não sou assim. Não tenho a ansiedade do impulso, mas tenho a ansiedade da racionalização e da conseqüência (justamente do "e depois?"), do planejamento! Minha cota de aprendizagem significativa...
Encontro
Hoje um cara aqui falou de Spinoza.
Segundo ele, a vida é feita de encontros, e há os encontros de paixão triste (comovidos, sensíveis, assimétricos, etc) e há os de paixão alegre o nosso!) que é o que cria conexões simétricas de fato e provoca mudanças!
Também quero seguir por esse caminho (ainda) desconhecido. Não tenho medo. Só quero seguir... Também não quero saber o que nos espera... Quero apenas caminhar ao teu lado... e partilhar, e te conhecer. De qualquer forma, pode ter certeza, já estás na minha vida para sempre. Não é brincadeira, foi um encontro meesssmo, daqueles que aumentam a potência do corpo, daquilo que se pode, daquilo que se pensa e sente. E não importa as formas ou trans-formações, os diferentes arranjos possíveis que este encontro possa tomar... lembra a história de "perder um amor de congresso, mas não perder uma amizade???" Pois é... Dessa vez não foi preciso escolher... ou melhor, talvez não exista denominação precisa para o que estamos construindo. De qualquer forma, tocou corpo, desejo, pensamento. Foram momentos vividos não apenas de forma intensa, mas que foram prolongados, alimentados, bem tratados. E o que mais me toca é a delicadeza... acho que não estou acostumada com ela, como o teu desenho - lindo! - complementando a poesia de Drummond!
Enfrente / Em frente
Esperança, esperandança
Esperar por quem sempre chega

F

Febre
Tua boca parecia inchada e vermelha. E quente, muito quente. "Parece febre", eu disse. "Sim, é quase isso". E 'quase isso' se repetia, se repete sempre. A febre, a tua febre, a tua boca de febre, a tua pele sempre quente. Sempre. Ariana e febril. Eu me encharco na tua febre, contágio, e me deixo queimar também. É quase isso.
Fogo, Terra e Água
Terra + água = Lama
Fogo + água = apaga o fogo
Fogo + terra + água = Cerâmica

G

Grude solto
Aceito convites, mas não promessas.
A expressão é paradoxal, como muito do que vivemos. Se não pensamos, funciona. Se trazemos para a esfera da razão, porém, se 'reflexionamos', começam os problemas. A vontade incontrolável de estar junto nos gruda, nos aproxima, se pega em nós e usamos de todos os meios pra reter a presença do outro: a palavra, o toque, o fio, o ciberspace, o pensamento, os satélites, a mera convenção compartilhada (ir ao cinema 'juntos', com 1.500 km de distância), invenções criativas... Ao mesmo tempo: é solto, é leve, não é pesado, não incomoda, não oprime.
Pensamos em contratos, conhecidos por nossos corpos marcados ou por nossos olhos que já viram muitas coisas. Estamos reproduzindo esses contratos, ao nos responsabilizarmos pelo outro? Reproduzimos esses contratos ao nos obrigarmos à palavra e ao estar-junto? Mas é solto, é leve, não é pesado. Te quero e não te incomodo, você me quer e não me oprime. Dizemos um ao outro o que desejamos dizer, e não o que pensamos que devemos dizer. Ao contrário, devemos dizer porque assim o desejamos. Sartre diria: "O desejo precede o dever"! Convites, muitos convites, mas não promessas. Algumas promessas decorrem dos convites ("Faça com que eu me ultrapasse!"; "Sim, prometo fazer com que você sempre se ultrapasse!").
Me chama, e eu estou aqui pra ti, sempre. Eu te chamo, e você está aí, sempre. Grudentos, muito grudentos. Mas totalmente soltos. Uma contradição, como a quina de uma bolha de pedra-sabão. Não funciona na frase, só funciona na vida.
Grudidade
A força da pele, que coisa, essa não dá pra vencer a distância. E, cá entre nós, eu fiquei muito impressionado e feliz com o efeito grude (Deleuze diria: a 'grudidade') de nossos corpos, de como se procuram, se entendem, grudam, esfregam, gozam e nem assim se largam.

H

I

Impulso
Vivo o impulso inédito, vivo, sensível e disforme que, por um lado, quer tomar forma, quer o encontro, olho no olho, mão na mão, corpo no corpo, ação e reação - mas não para se fixar. Também tenho rompantes de racionalidade... Mas tento abrigar em mim a des-razão, aquela do delírio produtivo, que também pode (trans)formar mundos e existências. Sentimento intenso, progressivo, que me faz ser outra (gosto disso!) e não me re-conhecer. Não é do tipo que dói ou faz sofrer, que paralisa e desestabiliza. Indizível e desconhecido, não é noite escura, fechada. É dia, luz que ilumina e não cega. Desejo... Desejo... Desejo... aquele que produz, e não que aponta a falta. Tranquilo, pode até ser. Mas, sereno? É demais pra mim! Pra mim, nada disso é sereno: é químico, físico, metafísico. Mexe com cada parte de meu corpo, desejo, pensamento, músculos, sangue. Sou assim. Tipo: sanguíneo!
Quero aprender com você esse jeito, esse impulso, quero me mover nesse sol. sem deixar, é claro, um pouco dessa obsessão metódica e racional que também me move (não, não me paralisa mais, há muito tempo).
Inesperado, Inesperado na agenda
Intimidades
A visão de você, deitada na cama, coberta até a cintura, com a minha camiseta azul, lendo o meu livro de Semiótica, me fez rir. "Nossa, que sensação de... casamento!" - me expressei sem pensar, e a palavra ficou oprimindo o ar e o silêncio azul do quarto durante uns segundos. "Sensação de intimidade", você corrigiu. "Intimidade", sim, isso. Eu tive um dejà vu.
Temos que nos habituar com a nossa voz, ritmo, cadência. E daqui a pouquinho ao rosto, corpo, gosto. Intimidade virtual... nunca acreditei nela, mas não é que existe mesmo? Sempre achei estranhíssimo esses encontros pela internet. Agora não duvido mais de nada, nem de amor de celular! Ainda tenho que pensar melhor sobre isso: a presença, a companhia, o partilhar o dia, o real, virtual, atual, essas coisas aí do Pierre Levy que devem nos dar uma luz em nossa sede esquisita por racionalizações.
As expectativas são também às avessas: quando acontece um encontro onde praticamente não há palavras, apenas o olhar, o toque, o abraço, o beijo, coisa de uma noite, a gente fica se perguntando quem é aquela pessoa, o que ela pensa, como ela sente, o que ela faz? O sempre inevitável "e depois?". A ansiedade da posterioridade, da permanência, ou seja lá como nominaremos o tal do "e depois?", também nos assombra, mas sob outra forma, a forma do avesso: como será o toque, o abraço, o beijo? Será que ele vai gostar de mim? Será que nossos corpos vão se encontrar? Será que vai rolar? O quê? Depois, rapidamente eu lembro do nosso acordo, de nossas tentativas, da afirmação do instante, do acontecimento. É tão difícil! Mas vamos seguir firmemente em nosso propósito. Estamos nos esforçando!
Invasão
As mensagens vazaram, talvez pelo momento de transbordamento que vivemos, e de total autenticidade. O não-jogo. Não queria que fosse assim. Não queria 'invadir' tua vida, nem ser um problema, mas foi inevitável. Você também invadiu a minha e se tornou um (bom) problema.
Pra onde vamos? O mundo tá aberto, todos os três: o de fora, o de dentro e o entre. Por mundo 'entre', digo aquele que nasce de nosso ponto de vista comum, das coisas que trocamos, sejam palavras, letras, toques, gestos, sonhos. Esse mundo-entre só existe porque existimos, juntos. Foi criado quando nos invadimos, e só findará se nosso encontro terminar. Esse é totalmente nosso!

J

K

Kerb
Krishna
Krishna é azulzinho.
(como Yemanjá)

L

Língua
Livro de Cabeceira, escrever no corpo
A sedução que passa pelas palavras. Nunca aconteceu comigo. Tenho amigos, com os quais me acostumei a trocar textos e idéias, quase uma escrita coletiva, interlocução preciosa... Com você é diferente. Ainda não sei bem o que é. Tuas palavras me acariciam. Você viu 'O Livro de Cabeceira'? Parece que você escreve em mim! Nunca pensei que alguém pudesse me conhecer e até mesmo desnudar, pelo que escrevo. Quero que me conheça, quero que me leia... Mas, ao mesmo tempo, me sinto completamente desnuda e frágil, quase envergonhada...
Hoje assisti Livro de Cabeceira. Me emocionei com você, com teu corpo, com as páginas do teu livro abertas pra mim, e principalmente com o que eu e você ainda poderemos fazer.
Quero continuar escrevendo e desenhando em ti, em tuas costas e nuca, em tuas pernas, em teus braços abertos, em teus seios, em tua barriga, na sola de teus pés, na palma de tuas mãos, na volta das tuas orelhas... uma palavra vermelha em teus lábios quentes - ainda, amor, sempre quentes!

M

Meios, mediações
O meio é um modo de entrar, de chegar, de caminhar. Pelo meio, sempre pelo meio, sem início e sem fim.
Também se refere a modos de comunicação diversos e à tecnologia que permite, aguça, provoca e potencializa encontros: mensagens instantâneas de celular, torpedos pela internet, MSN, blog, Skype, mail, telefone... Definitivamente, não somos nostálgicos. Não temos saudade do tempo em que não existia avião, celular, internet ou cartão de crédito! Embora o correio já nos tenha sido muito útil!
Mas o 'meio' também é um modo de definição. Definição daquilo que não pode ser nominado. Minha meio que mulher amada, meio que namorada, meio que um encontro raríssimo, meio que profunda dependência!
Melhoutrar
É tornar-se quem se é. Tornar-se outro. Mas não qualquer outro. Um outro melhor.
"não me deixe viver o que posso
que me seja permitido ultrapassar os limites" (F. Carpinejar)
Moqueca de siri mole
Está em Dona Flor e seus Dois Maridos. Era o prato preferido de Vadinho. Experimentamos juntos, num restaurante à beira da avenida, à beira da praia, em frente ao Barravento. 'Barravento' é aquele estremecimento que a filha de santo sente à primeira aproximação do orixá. Uma boa moqueca de siri mole dá barravento, enche a alma de gozo, faz a gente suspirar fundo. O dendê, a farofa e, sobretudo, a tua companhia, no último dia do primeiro encontro. O gosto da moqueca misturava-se ao teu, e depois aos beijos de quase despedida. Tornou-se meu prato preferido.
Movimento
Música
CDs.


N

Não-jogo
Alguns enamorados jogam o jogo do amor, e a relação torna-se um constante e incessante ponto-a-ponto, como numa partida de tênis. Cada um esforça-se por mandar a bola fora do alcance do outro. Bolas curtas, bolas longas, bola nas costas, por cima, por baixo. Corre pra lá, corre pra cá, cansaço, exaustão, esforço. E a bolinha sempre vai ao chão. Alguém ganha, alguém perde. Optamos pelo não-jogo. A alegoria carioca e zen do não-jogo é o frescobol de praia. O objetivo não é fazer a bolinha cair na areia ou no mar, mas permanecer no ar, o máximo de tempo possível, em movimento. Desafiamos o outro a todo instante, fazemos com que ele se esforce, sem sair do lugar. Cada bola que lançamos é uma oportunidade de ultrapassar-se, de nos ultrapassarmos mutuamente. Quando a bola ocasionalmente vai ao chão, não há ponto, mas consternação: acidente. E recomeça-se imediatamente, com mais prudência. A bola está no ar, em movimento, os adorados sorriem, recebem e devolvem, tomam e dão, exigem-se. Ninguém perde, nunca. Ambos ganham, sempre.
NNAA
Nada-Nunca-Antes-Assim
Novidade

O

Outrar
Tornar-se outro não é pra qualquer um. Há riscos iminentes e recompensas invisíveis. Acreditamos que é possível (e é preciso!) outrar de várias maneiras: desde a imersão na obra de arte ao simples espanto de entender genuinamente um outro, isto é, assumir brevemente seu ponto-de-vista (Schopenhauer). Assim, outramos de vários modos, e nos estimulamos a isso todo o tempo. Outrar é, em certo sentido, ultrapassar-se, mas o contrário não é necessariamente verdadeiro. No entanto, nem sempre há melhoramento em outrar. Tantos outram para pior! Outrar não basta, é preciso melhoutrar!

P

Palavras
Talvez a força desse encontro não se explique nesse mundo. Por isso, por mais que nos esforcemos para dar verbo ao corpo, ao encontro, é muito, muito difícil. Hoje (e ontem) eu queria apenas olhar pra você, te abraçar, e que você me apertasse forte. Queria um beijo, apenas. E nada mais precisaria ser dito. Talvez eu seja um pouquinho mais silenciosa com você, menos amiga das palavras. Mas tento fazer você entender o lugar que tem na minha vida, mesmo a distância. Acho que você entende. E não só entende, sente, vive. Eu estou vivendo contigo intensamente. Serão essas as melhores palavras? Ou: "Você está na minha vida completamente". Ou: "Você transforma minha vida serenamente". Ou: "Você me faz feliz. (???) Palavras... pfff!
Te entendo, porque aprendo. Confio nas palavras - demasiado - mas elas não são confiáveis. Aprendo a dizer de outros modos com você. Aprendo a não-dizer, a viver sem verbo-dependência. Deus colocou ordem no caos verbalizando. Mas pra que organizar o caos? Aprendo que não preciso dizer/ouvir "eu te amo, eu te adoro, eu isso, eu aquilo" todo o tempo, o tempo todo. Aprendo a compreender teu corpo que diz que e como sou importante, que e como você me tem, que e como me quer, e quanto. E isso me basta, e isso me deve bastar. Como qualquer movimento meu, tão ínfimo, te basta - aprendo. Aprendo a conhecer o som de tua voz e o que ela diz - e não as palavras que diz. Não mude. Eu mudo. Eu, mudo. Você, muda. E assim dizemos tudo, vivenciando um mundo. Vivemos assim. Mas, às vezes, mesmo que não se consiga atingir o real sentido, o mais verdadeiro e mais completo, tenho, temos, ainda que dizer palavras: "(Teu nome), meu sol (imagem-luz, força, brilho, calor, intensa beleza), eu te amo, eu te adoro, eu isso, eu aquilo". Palavras, pfff!
Pele
Pele pede pele (Arnaldo Antunes).
Sentimentos de, não de solidão, mas começa a bater essa coisa mesmo de não ter com quem dormir, quem beijar e abraçar... Enfim, de não ter pele... Uma saudade concreta, da presença mesmo. Como se chama isso? Outra palavra a inventar!
Pelear, peleia
Pelear é um verbo sulista, ligado à ação que formou o povo gaúcho. Não é apenas brigar ou lutar - o que pode pressupor um fim. Muito mais que isso, é um modo de vida. 'Não tá morto quem peleia', diz o ditado. Remete à vida, sem dúvida. Mas àquela vida que não queremos mais. Ao escolher a serenidade, não nos afastamos do movimento ou da contradição, não apostamos no consenso ou na falta de convicção ou posição... mas em um outro modo de ação. Um yinyang. A força do azul...
E assim re-significamos a palavra! Pele-ar passa a designar o quanto de pele precisamos para respirar... no maior estilo "o mais profundo é a pele" (Deleuze).
Perseverança
Poesia
Poesia é não-pensar (Alberto Caeiro). Poesia é dar verbo ao corpo.
Presente
No bar, M. falava da blusa azul: "Primeiro presente". Eu não perdi a piada: "Foi um roubo!" Mentira. Foi um presente. Não o primeiro. Os primeiros foram um livro com tua escrita pra mim, um cd orixá pra você. O primeiro pode ter sido uma rosa branca (de Yemanjá) pra nós dois. O primeiro pode ter sido a chuva. Houve outros: o quarto azul de portas abertas, o céu que nos protege até hoje, um quadrado riscado na areia que nos encerrou num mundo só por alguns instantes... Houve, antes, o presente fundamental de M. ao me mostrar pra você, ao mostrar você pra mim... E depois, uma pedra do lugar mais lindo em que você já esteve, e uma peça de roupa do lugar mais lindo de você em que eu já estive. Muitos, muitos presentes.
O presente (a)firma a presença do ser adorado.
Primeiro, Segundo, Terceiro
Peirce resolveu criar as categorias mais universais para todos os tipos de experiências possíveis. Ele pensava como Kant: não importa a realidade das coisas, mas como elas (nos) (a)parecem. Alguma realidade há, mas não temos acesso a ela. Temos apenas nossos meios - sentidos, aparatos de conhecimento, estruturas cognitivas e sensitivas.
Peirce identificou três categorias fundamentais, Um, Dois, Três.
O Um nos aparece como qualidade original, puro sentimento, sem análise, nem síntese, apenas hipótese. Ícone. Acaso. Um haikai, só-instante. O Um é a linha individida, o céu, o criativo. O Mago. O Um é um impulso ariano. O Um é a cor azul, a mera cor azul sem nenhuma outra referência. O Um sou eu. O Um é você. O Um é totalmente livre.
O Dois nos aparece como existente, como ação e reação, como coisa no mundo, como análise. Índice. Conseqüência. Um aforisma. O Dois é a linha dividida, a terra, o receptivo. A Papisa. O Dois é ação e reação canceriana, é desmedida pisciana. O Dois é a cor azul recém-pintada na parede de um quarto, ou o azul uma blusa dedicada. O Dois sou eu e você, é um encontro, é este encontro. O Dois pressupõe o Um, que é totalmente livre.
O Três nos aparece como pensamento, razão, síntese, como coisa na mente, interpretação, significação. O Três é um soneto inteiro, feito de decassílabos. O Três é um trigrama, uma sentença, um juízo. O Mundo. O Três é razão virginiana. O Três é um quarto azul, é uma blue skyn. O Três somos nós, é o nosso encontro, é o Encontro. O Três pressupõe o Dois, que pressupõe o Um, que é totalmente livre.
Escrevo porque preciso, impulso da Primeiridade.
Escrevo porque preciso estar com você, saber que você está comigo, conseqüência da Secundidade.
Escrevo porque preciso querer entender, inteligir, significação da Terceiridade.
A serenidade que sinto ao te saber e reconhecer, ao te lembrar em detalhes mínimos (três brincos sem tarracha, um sorriso aberto, uma frase estranha, uma caminhada breve, os pés na areia, um toque nas mãos, curvas do corpo, cabelos molhados, implicâncias doces, mensagens noturnas, um gemido, uma mudança de temperatura), ao tentar te aprender a cada dia, a serenidade é xamânica, transforma, atualiza, age e faz-agir.
Esse apaixonamento sereno é inédito e bem-vindo. É improvável e real (se e como me aparece. Mas algum real há!). É súbito e constante. Cresce em progressão geométrica. Esse apaixonamento sereno deseja e sossega. Vive e deixa viver. Carpe diem. Carpe à toa. Permeia tudo. Atravessa. Luce. Fica.
Escrevo porque te amo, porque estou te amando.
E mal espero espero estar com você não mais Primeiro, como o acaso do encontro inicial e como origininalidade, possibilidade e potência. Tampouco como entendimento, discurso amoroso, presença virtual intelecta e sígnica, Terceira. Aguardo mais um pouco pra estar com você Segundo, segundo a existência real de nossos corpos habitando mesmo tempo, (quase) mesmo espaço, em ação e reação de pele e carne, como a resistência de um beijo saudoso, como saliva trocada, como vidas fundindo-se.
Tudo me faz lembrar você, tudo me faz querer você.
Por lembrar você, por querer você, tudo me tem feito bem.
beijo
um
dois
três

Q

Quarto azul
Demoramos (confesso: eu demorei), mas decidimos passar a noite juntos. Madrugada alta, sem chance de encontrar um motel àquela hora, ou de tentar um quarto em algum hotel legalzinho. Resolvemos ir mesmo para a pousada bem caidinha onde eu estava, para o quarto de solteiro onde eu dormia há três noites, cama curta, teto meio úmido, banheiro pequeno. Dois lances de escada e nos deparamos com uma porta aberta, bem em frente ao quarto onde eu estava hospedado. Olhamos, curiosos. Era um quarto de casal, todo arrumadinho de pouco tempo, roupa de cama cheirosa, cama grande, quartinho até que espaçoso e... azul!
Só precisou de um olhar. Desci rápido, 'requisitei' ao solitário e sonolento funcionário da recepção da pousada aquele quarto para nós naquela noite. "Está pintado de novo", ele disse, "por isso está aberto". "Pode ter cheiro", ele disse. Não, não tinha. Passamos a noite no quarto azul, que, parecia, estava reservado para nós desde o primeiro minuto do Big Bang ou, se fôssemos religiosos, desde o início da Eternidade.

R

Raro, rara, raridade
Eu pra ti, tu pra mim, nosso encontro. Raro é algo que não se mede pela freqüência, que escapa à freqüência, que se oculta e se oculta e se oculta. Tudo o que é raro, por isso, é valioso, muito valioso. Porque você rara, é muito valiosa pra mim. Porque te pareço raro, sou valioso pra você. Mas raríssimo mesmo é o Encontro, desse jeito que foi e é. Por isso é, para nós, de um valor inestimável! Tem coisas que são tão raras, tão raras, e por isso tão valiosas, que simplesmente perdem seu 'valor de troca', já que é impossível encontrar algo que lhe seja equivalente. Não há nada no mundo que 'pague' um encontro como esse, acredito.

S

Saudade
Serenidade
Nunca vivi em harmonia. Esse era o barato, o tesão: ou muito alto, ou muito baixo, sem meio termo, entre tapas e beijos, paixão e desespero absolutos. Viver, só se for intensamente. Só se for para amar muito e sofrer muito também! E foi exatamente disso que cansei. Cansei de não poder esperar ou planejar nada na minha vida. Cansei de viver em montanha russa. Cansei do frio na barriga. Cansei do medo e da adrenalina. Eu quero, exatamente, serenidade! (Me ensina?)
Aprendendo juntos. Aprendemos. Meu problema em relação à serenidade, ao contrário de altos e baixos, é justamente o método, o conforto. Acomodação não é serenidade. Omissão, também não. Aprender na vida a não confundir pacifismo com covardia, calma com passividade, esse é o desafio. Aprender a dizer nãos e sins na hora certa, na hora de cada um, sabendo a hora de cada um. Serenidade é o equilíbrio de viver o necessário, o possível e o desejado.
SIM
I was a Flower of the mountain yes when I put the rose in my hair like the Andalusian girls used or shall I wear a red yes and how he kissed me under the Moorish wall and I thought well as well him as another and

then I asked him with my eyes to ask again yes and then he asked me would I yes to say yes my mountain flower and first I put my arms around him yes and drew him down to me so he could feel my breasts all perfume yes and his heart was going like mad and yes I said yes I will Yes.


Sincronicidade

T

Tarô
Tatiar
1. A ação e o jeito da Tati de me procurar e tocar, ou puramente o toque da Tati;
2. A ação, terna ou violenta, suave ou firme, urgente ou lenta, de buscar com as mãos, com a boca, com o sexo, com todo o corpo, as mãos, a boca, o sexo, o corpo todo da Tati;
3. Ambas as ações acima, em seqüência ou, preferencialmente, ao mesmo tempo.
Tesura
'Hay que mantener la serenidad, pero sin perder el tesão jamás!'
Ternura (Barthes)
Teu, Tua
Certamente nada a ver com a posse que aprisiona, mas com o sentimento que faz laço, laço forte. Sensação de pertencimento, de cuidar e ser cuidado intensamente, de todo tipo de desejo.

U

Ultrapassar
Pensando seriamente que temos uma missão um para com o outro, e descobri o que me encanta tanto em você (além da pele, da boca de febre, dos toques, dos olhos...): a possibilidade de nos ultrapassarmos! É isso o que quero, o que desejo: que você me leve sempre a fazer com que eu me ultrapasse, todo o tempo, de muitos modos, sempre virando outro. E é o que eu quero fazer com você: que você ultrapasse a si mesma, não se reduza, não diminua, não se esconda! Meu desejo é te ver brilhando e se ultrapassando, sempre! 'Gente é pra brilhar, brilhar com brilho eterno', já dizia nosso amigo Maiakóvski.
Você tem me feito sentir essa sensação: de que posso e devo ultrapassar a mim mesmo a cada passo (muita redundância numa mesma frase, mas é assim que sinto!). Que bom que nos ultrapassamos. Só assim pudemos ser outros. E, sendo outros, nos encontrar.

V

Viagem
Eu tenho um grave problema: adoro viagem, de toda espécie! Se você me propõe uma, embarco na hora! Gosto das viagens pra fora, das viagens pra dentro, das viagens entre. Gosto do trajeto, do ir e vir, mesmo que não haja um lugar de destino. Lembra da frase do Sêneca? Ele diz que 'pra quem não sabe pra onde vai, nenhum vento é bom'. Concordo, mais ou menos... Às vezes, pelo prazer da viagem, todo vento é bom!
Navegar é preciso, viver não é preciso. Ou viver é navegar. Navegar é preciso, viver é impreciso.

W

Wille
Alemão: Vontade. Schopenhauer: o que somos, todos nós, o tempo todo, no mais íntimo. Pura Vontade. Dizemos um ao outro: "Vontade de você!". A Vontade é cega, insaciável, pretende objetivar-se sempre, sempre busca seguir e perpetuar-se. A Vontade é una, é a coisa-em-si, aquilo que está no fundo de todo fenômeno, que jamais poderá ser conhecido. A Vontade (Wille) é o aquilo que é. "Vontade de você": vontade cega, insaciável, una - a nossa coisa-em-si, que determina todos os nossos motivos, ações e intenções.
Dizemos muito e simplesmente: "Eu quero!". E, a cada vez, esse "eu quero" diz uma coisa diferente. Mas, a cada vez e toda vez, quer também sempre dizer a mesma coisa: Wille, vontade de você.

X

Y

Ying, Yinyang
Elo que liberta.
A distância tão próxima, a diferença tão parecida, a ternura cheia de tesão, a serenidade com força de ação, a maturidade leve, o grude solto, o Azul.
Yemanjá
Chovia em Salvador, curto. Madrugada bem alta e nós num bar, de frente pro mar, no Rio Vermelho. Havia uma casa na beira da praia, branca. A casa de Yemanjá. Nos beijamos. Fomos abençoados de certa forma. A cor de Yemanjá, orixá, das águas do mar, do mar tão caro a mim e a você, a cor de Yemanjá, qual é a cor de Yemanjá? Azul, Yemanjá é azul.

Z

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